Pelo poder do foro privilegiado, Temer coloca a “faca nos dentes”

Itamar Garcez

O estilo comedido que caracteriza as atitudes públicas e intramuros do presidente Michel Temer está cedendo à pororoca de denúncias e à consequente perda de apoio político. Como todo animal encurralado, sua reação é a luta renhida pela sobrevivência.
O novo modelo Temer foi visto na quarta, 5 de jullho, às vésperas de embarcar para uma insípida viagem à Alemanha, onde participou da cúpula do G-20. Numa reunião de última hora, reuniu sua equipe ministerial e cobrou “fidelidade”, já que parte dos ministros lá está por representarem bancadas supostamente aliadas.
Quem melhor expressou este novo pendor temerista foi o escudeiro Beto Mansur, deputado federal que viajou com o presidente à Alemanha. “O Michel está com a faca nos dentes”, resumiu o parlamentar. “E vamos vencer”.
A mesma disposição para a guerra foi vista na decisão da Polícia Federal, subordinada ao ministro Torquato Jardim, da Justiça. Na quinta, 6 de julho, a PF tirou a exclusividade dos delegados que se dedicavam à Lava-Jato. Abordado por repórteres, o ministro não quis comentar a novidade, criticada por procuradores que apontam como efeito o enfraquecimento das investigações.
Antes disso, na quinta, 27 de junho, no pronunciamento em que criticou a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o mandatário já exibia sua intenção. Num estilo pouco convencional, insinuou que Janot poderia ter recebido recursos da JBS, do delator-mor Joesley Batista, o amigo que virou inimigo.
Instintos primitivos
Em paralelo, o poderoso aparato estatal é despejado contra a JBS. Suspensão de crédito, maior rigor na fiscalização e incentivo a CPIs fazem parte do arsenal acionado.
A escalada bélica de Temer tem um ingrediente a mais do que a perda do poder, por si mesma motivadora de “instintos primitivos”, para lembrar um dos mais ladinos políticos em atividade. Perder o mandato pode significar mais do que voltar para a casa.
Sem a imunidade que o cargo ora lhe confere ficará ao alcance de juízes de primeira instância, que têm se mostrado mais rápidos e rigorosos nas sentenças condenatórias do que seus colegas da Suprema Corte. É desembainhar a peixeira ou correr o risco do cárcere – entourage palaciana incluída.
Artigo publicado em Os Divergentes em 8 de julho de 2017

MANUAL BÁSICO PARA A CAPITAL

Valentina Castello Branco

Brasília é uma cidade difícil. Metade do ano chove e no resto do tempo o nariz sangra, de tão seco. A cidade tem um ritmo mais tranquilo e até você entender o modo de usar, pode ser um pouco tedioso. Por mais que boa parte da capital seja um estouro de bonita, as quadras comerciais deprimem bastante. Ressalvas feitas, em algum momento, o estilo de vida singular que o reino do Niemeyer propõe te conquista.

O tédio supracitado fez com que a jovem população, filhos que vieram a reboque nas mudanças, precisasse procurar o que fazer na década de 70. Os brasilienses se tornaram, por consequência, especialistas do auto-entretenimento. Em Brasília abre-se a casa para almoços, esportes, saraus e toda a espécie de comemoração. Famílias candangas recebem de uma forma fabulosa, como nunca se viu no Sudeste. Invariavelmente dá vontade de ficar. Situação difícil.

O truque para conhecer o melhor da capital é um bom amigo daqui, que te apresente aos segredos e agitos do momento. Minha função é desempenhar esse papel, ainda que eu não te busque em casa. Vamos, então, às particularidades:

▪ Não tem jeito. Brasília foi planejada para o automóvel, e, sem ele, sua área de atuação fica reduzida. Um carro alugado e um GPS esperto te levam além.

▪ A cidade é pequena, o que torna inevitável que você esbarre nas mesmas pessoas. Pense nisso antes de tirar a roupa e dançar em cima da mesa dos restaurantes.

▪ Com raras exceções, o serviço na cidade decepciona. Tenha isso em mente e não se irrite por pouco.

▪ O melhor da vida noturna local são as “festas em casa de neguinho”. O ingresso é uma caixa de cerveja, disposição pra dançar rock indie na sala de tábua corrida e se jogar na piscina às 4 da manhã. Se for necessário, se humilhe nas redes sociais, mas garanta um convite desses.

▪  Para saber o que está na pauta da cultura da cidade: Quadrado Brasília. As meninas sabem se divertir, comer, comprar e passear, e contam tudo.

▪  Você pode voltar pra casa com uma camiseta “Fui a Brasília e lembrei de você”, ou com uma Catedral esculpida em pedra sabão, mas a gente espera que não. No Bsb Memo você pode comprar azulejos no estilo Athos Bulcão, placas incríveis e várias fotos como as que ilustram esse site.

 

 

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