Autonomia protege Banco Central das ingerências políticas

O Banco Central avalia que o marco legal da autonomia operacional do órgão, aprovado em votação final pela Câmara nesta quarta, 10, vai proporcionar maior confiança no cumprimento dos objetivos da instituição, com destaque para a estabilidade monetária e financeira.
Em nota na qual comentou a decisão do Congresso, o Banco Central observa que uma das principais justificativas para a autonomia do órgão, adotada em diversos países, a exemplo da Colômbia, Reino Unido e Estados Unidos, é a separação do ciclo político do ciclo de política monetária, levando em conta que este último, por sua própria natureza, requer um horizonte de longo prazo, ao passo que o ciclo político tem um horizonte de prazo mais curto. Em outras palavras, a autonomia ajudaria a preservar a instituição das ingerências políticas, como vem ocorrendo ao longo dos últimos 25 anos.
O Banco Central ressalta que a autonomia diz respeito à liberdade para utilização dos instrumentos para o cumprimento dos objetivos estabelecidos pelo CMN, destacando, também, que o presidente da República manterá o poder de escolher toda a diretoria do BC ao longo de seu mandato.
Segundo o Banco Central, a mudança institucional irá contribuir para consolidar os ganhos alcançados na economia.

Câmara demonstra boa vontade com goveerno

Primeiro projeto do elenco de prioridades do governo aprovado pela Câmara (339 votos a 114), a autonomia do Banco Central representa um gesto de boa vontade do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), e dos deputados com o Executivo, da mesma forma que o represamento da matéria, depois de aprovada pelo Senado, no final da legislatura passada, foi uma forma de o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), expressar a sua insatisfação com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Maia, que era autor de um dos projetos de autonomia da instituição, disse que esta não era uma prioridade, dando preferência à Reforma Tributária, cujo debate ainda não deslanchou no Congresso.
A autonomia do Banco Central é um ganho estrutural importante, um passo à frente nos avanços institucionais obtidos nos anos 1990, com a criação das primeiras agências reguladoras. A autoridade monetária é uma instituição consolidada, com protagonismo na condução da política monetária.
O jornal “O Globo”, na edição desta quinta, lembra que é de 1989 projeto do então senador Itamar Franco sobre autonomia do BC. Ao longo do tempo, outros projetos foram apresentados. Em 2019, o Executivo entrou oficialmente, enviando proposta ao Congresso.

Alcolumbre foi destaque na construção de alternativa a seu nome

A candidatura vitoriosa do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à Presidência do Senado contou com o apoio de Bolsonaro e do PT, o que chama atenção à primeira vista. Não se pode, contudo, deixar de considerar o papel desempenhado pelo ex-presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na sustentação do nome de Pacheco. Alcolumbre se refez da derrota no STF, que reafirmou a inconstitucionalidade da reeleição para a direção das duas Casas do Congresso na mesma legislatura, e contribuiu para a construção de uma alternativa que ganhou solidez em curto espaço de tempo. Rodrigo Pacheco, eleito senador há apenas dois anos, teve o apoio de dez partidos e foi eleito com 57 votos, 16aa a mais do que o mínimo necessário.
Pior para a senadora Simone Tebet (MDB-MS), lançada por seu partido sem entusiasmo, como se o abandono à própria sorte estivesse nos cálculos da bancada. Advogada, Simone Tebet surfa com firmeza nas questões regimentais, mas não é uma operadora política. Terminou com 21 votos.
Advogado especializado em Direito Penal, Rodrigo Pacheco prometeu um pouco de tudo nos discursos depois de eleito. Merece registro a defesa que fez de uma utopia: a união das instituições em torno da “pacificação da sociedade brasileira”.

Lira venceu na Câmara porque foi o candidato mais competente

O deputado Arthur Lira (PP-AL) venceu a eleição para presidente da Câmara, nesta segunda-feira, por larga margem, porque se articulou melhor do que o seu principal adversário, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Lira teve 302 votos, quando a vitória por maioria absoluta exigia 253 votos. Rossi teve 145 votos. Lira teve apoio de um bloco formado por 11 partidos. A candidatura de Rossi reuniu em torno dela dez legendas, mas seu esvaziamento foi se evidenciando ao longo do processo. Arthur Lira contou com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, mas a pressão sobre de parlamentares e a oferta de cargos federais, conforme denúncias fartamente divulgadas, não são suficientes para justificar uma vitória tão expressiva.
Não se deve perder de visa que, apesar da expressão do cargo no cenário nacional, esta também é uma eleição interna, em que os deputados decidem quem vai presidir a Casa em que atuam. O ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RRJ), derrotado no projeto Baleia Rossi, no início da campanha, ainda em dezembro passado, procurou explorar o apoio de Bolsonaro a Lira como um meio de intervenção do Executivo na Câmara. Foi um apelo eleitoral que não surtiu o efeito desejado.

Segundo turno tem conquistas mais valorizadas

A conclusão do segundo turno altera pouco o quadro de prefeitos eleitos por partido, uma vez que pouco mais de 10% dos municípios (57) realizaram a nova rodada de votação. A relevância do segundo turno está no envolvimento de cidades mais populosas, entre as quais algumas das mais importantes do país. São Paulo é o carro-chefe e a vitória do PSDB, de certa forma, ofusca a queda de 279 prefeitos em comparação com 2016: de 799 para 520.
O MDB conquistou dez municípios neste domingo, sendo cinco capitais: Boa Vista (RR), Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS) e Teresina (PI).
O DEM, que no primeiro turno havia ganho em Curitiba (PR), Florianópolis e Salvador (BA), desta vez venceu no Rio de Janeiro (RJ), totalizando quatro capitais conquistadas.
O PDT venceu em Aracaju (SE) e Fortaleza (CE). O PSB ganhou em Maceió (AL) e Recife. O PP, em João Pessoa (PB) e Rio Branco (AC).
O PSOL venceu em Belém (PA); o Republicamos, em Vitória (ES); o Podemos, em São Luís (MA); e Avante, em Manaus (AM).
O PT não venceu em capitais, conquistando três cidades com mais de 200 mil eleitores: Contagem (MG), Diadema (SP) e Mauá (SP).