PSDB, de mal a pior

O futuro do PSDB tem perspectivas ruins ou muito ruins, dependendo de quem seja o interlocutor no Congresso. Se há alguém no partido procurando uma saída boa, este alguém está agindo nas sombras, com a mais absoluta discrição. O que se vê é uma acentuada divisão entre os notáveis integrantes do partido, que prenuncia o desembarque de um contingente de parlamentares em direção a outras legendas. O PSDB vai eleger a direção nacional em dezembro. Sem uma composição de forças, que é remota nas atuais circunstâncias, o partido tende a ter uma direção sem legitimidade.
As divergências são normais nos grandes partidos (nos pequenos, também). No PSDB, que não é diferente, havia um padrão de convivência que se perdeu no debate sobre o apoio ao governo Temer.
“Nós não precisamos de inimigos”, disse um deputado encabulado, diante da repercussão da destituição de Tasso Jereissati, presidente interino do partido, pelo presidente licenciado, Aécio Neves.
“O PSDB desses caras não é o meu”, disse Jereissati. Sendo assim, é o racha.
O PSDB disputou com o PT todas as eleições presidenciais de 1994 para cá. No próximo ano, vai ter dificuldades para costurar aliança e sair com um candidato competitivo.

Solução para Oi desafia advogada da União

Escalada por Temer para buscar uma solução para o Grupo Oi, maior concessionária de telefonia do país, a advogada-geral da União, ministra Grace Mendonça, apresenta as suas credenciais para o cumprimento da missão. Em um ano à frente do maior escritório de advocacia do país, ela celebrou na AGU cerca de 45 mil acordos, orientada pela valorização do diálogo e a solução pacífica de conflitos.
A ministra considera que a AGU tem obtido avanços em questões extremamente importantes, como a remuneração das cadernetas de poupança durante os planos econômicos dos anos 80 e 90 e a situação da extinta Rede Ferroviária Federal.
No caso da Oi, que está em processo de recuperação judicial, ostentando uma dívida da ordem de R$ 65 bilhões, o governo tem na Anatel o maior credor individual, com cerca de R$ 11 bilhões a receber, e tem a preocupação de construir uma solução que permita a continuidade da prestação de serviços de telecomunicações.
Com exceção de São Paulo a Oi está presente em todo o país. Se a empresa quebrar, cerca de dois mil municípios ficarão desligados do mundo exterior.
Diante da complexidade da situação, Grace Mendonça afirma que não se intimida.

Governo sofre perdas no arquivamento da denúncia

O governo Temer saiu pior do que entrou da votação da segunda denúncia contra o presidente e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral). A oposição não teve os improváveis 342 votos, o que leva a denúncia ao arquivamento, e os governistas tiveram mais votos do que os adversários, o que era bem previsível. O governo, porém, teve 12 votos a menos, na comparação com a votação da primeira denúncia, e não obteve a maioria absoluta da Casa (257 votos).
Votaram favoravelmente ao governo 251 parlamentares, um dado ruim, mesmo considerando as 25 ausências indiscriminadas e as duas abstenções. A oposição somou 233 votos, dois a mais em relação a agosto.
O dado mais delicado da votação foi o posicionamento do PSDB, que se apresentou dividido, novamente, tendo dado 23 votos pela continuidade da investigação e 20 contra o processo. Da bancada tucana de São Paulo, somente um deputado ficou com Temer.
Temer vai ter que partir para a recomposição da base de apoio, se quiser dar continuidade à agenda econômica, que pode ser tida como imprescindível. Esta passou a ser uma exigência daqueles que entraram de corpo e alma na defesa do presidente.

Façam suas apostas, podemos ajudá-los

Continua aberta a lances a bolsa de apostas sobre o que pode sair do Congresso depois da votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, desta vez acompanhado dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. Tema obrigatório das avaliações com políticos, a bolsa de apostas mostra a Reforma da Previdência em baixa e as medidas de ajuste fiscal e reformas microeconômicas relativamente bem cotadas. Corre em paralelo uma visão “a la Centrão”, segundo a qual o governo não fará mais nada antes consultar o Congresso.
O pano de fundo desta situação são os inúmeros compromissos assumidos por Temer e seus principais assessores, não para chegar a uma vitória, mas para escapar da degola. Não que o governo estivesse na iminência de cair, mas porque seguiu as regras do jogo que ele mesmo abraçou e que utilizou com mais intensidade do que os presidentes anteriores.
O governo Temer está permitindo uma analogia com o consagrado Teorema Tostines. Transportado para o Planalto, em meio às denúncias de corrupção, o Teorema Tostines permite indagar: Temer cedeu aos aliados porque era fraco ou ficou fraco porque cedeu aos aliados?

CEO do governo

A visão “a la Centrão”, exposta pelo ziguezagueante deputado Rogério Rosso (PSD-DF) chega a atribuir ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o papel de CEO do governo, deixando para Temer os aspectos cerimonias. Aos interlocutores logo vem a imagem da Rainha da Inglaterra, dona de uma respeitável folha de serviços prestados ao Reino Unido.
Certamente essa ideia surgiu entre agentes de mercado frequentadores da ponte aérea São Paulo - Brasília. Seria bom que, ao contrário de Rosso, Rodrigo Maia não desse atenção para tal ideia, pelas consequências nefastas para harmonia entre poderes.
Quanto às consultas do Executivo ao Congresso, elas devem ser intensificadas e ampliadas. Isso poderia evitar portarias como a que reviu o conceito de trabalho escravo, suspensa liminarmente pela ministra Rosa Weber, do STF, ou o decreto que extinguiu a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), na Amazônia, do qual o governo recuou depois de tentativas frustradas de esclarecimento sobre a medida