Marina Silva vai ter de ajustar o foco da campanha

A deflagração da campanha, a partir do início das convenções partidárias, em 20 de julho, vai reduzir os não votos, ainda que eles devam ser mais elevados do que em eleições anteriores. O gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, cita uma pesquisa da entidade de junho de 2014, quando os votos brancos e nulos somavam 8%. Quatro anos depois, somam 33%.
A situação de Marina Silva em relação ao eleitor mais identificado com Lula também depende do foco da sua campanha eleitoral, que não tem dinheiro nem tempo de TV. A CNI/IBOPE observa que as intenções de voto de Marina são mais elevadas nas regiões Norte/Centro-Oeste e Nordeste. Sem Lula, ela ultrapassa Bolsonaro no Nordeste (16 x 10) e entre o eleitor de baixa renda com grau de instrução até a quarta série da educação fundamental.
A pesquisa CNI/IBOPE sugere dificuldades para os candidatos de centro, que não passam do batalhão intermediário.
Geraldo Alckmin, do PSDB, tem o melhor desempenho no Sudeste, com 8%, contra 19% de Bolsonaro e 11% de Marina. No Sul, o senador Álvaro Dias, do Podemos, consegue o melhor desempenho (8%) dos centristas. Alckmin fica com 5%. O direitista Bolsonaro, com 21%.

Leilão de energia é destaque na agenda da semana

O leilão de linhas de transmissão de energia, que a Aneel promove na quinta-feira, é o destaque da semana. Soma 2.662 km de linhas, prevendo R$ 6 bilhões em investimentos e a geração de 13,6 mil empregos diretos.
A última semana do mês é reservada aos relatórios econômicos do governo, especialmente os que dizem respeito ao resultado das contas públicas, tanto no Tesouro, que se limita aos dados do Tesouro, Banco Central e Previdência Social, quanto os do Banco Central, que consolidam as contas com o resultado dos estados. A última semana do trimestre nos reserva o Relatório Trimestral de Inflação, elaborado pelo Banco Central.
O jogo decisivo para as pretensões da seleção brasileira na Copa do Mundo, na quarta-feira, às 15h, contra a Sérvia, reduz as atividades legislativas. A realização de sessão conjunta do Congresso para votação de vetos presidenciais, na terça-feira, é um chamariz para a vinda de parlamentares, mas a agenda da Câmara e do Senado na semana tem claras limitações.
O STF marcou a sessão de quarta-feira para as 9h. Na pauta, previdência complementar dos servidores públicos e as comissões de conciliação prévia. Na quinta, o STF examina a constitucionalidade do fim da contribuição sindical.

Ministro do Planejamento defende teto de gastos

O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, disse que o teto de gastos, criado pela Emenda Constitucional 95/2016, que instituiu o Novo Regime Fiscal, é a medida que fornece parâmetros para que o Poder Público possa caminhar.
Colnago fez uma palestra, nesta terça-feira, no seminário “Cenários fiscais e prioridades orçamentárias”, da Instituição Fiscal Independente, órgão vinculado ao Senado. Ele definiu o teto de gastos como a medida que dá credibilidade para as contas públicas.
O ministro do Planejamento disse que é preciso estabelecer aquilo que é prioritário dentro do conjunto de despesas.
Para viabilizar o teto de gastos o ministro Esteves Colnago considera que o mais importante é fazer a reforma da Previdência, porque o setor representa o gasto mais alto e aquele que mais cresce nas contas públicas.
Ele também destaca como fundamental avaliar a despesa com o funcionalismo, a segunda mais alta. Essas despesas, na avaliação dele, estão hoje muito engessadas. O serviço público federal, observa Colnago, conta com cerca de 300 carreiras com especificidades muito próprias.
O ministro destacou ainda a necessidade de um exame permanente e aprofundado da destinação de recursos dos programas sociais, para verificar se estão sendo direcionados para onde, realmente, deveriam estar.

Secretário do Tesouro não vê mágica para ajuste fiscal

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, diz que não existe mágica para o ajuste fiscal. “Você corta despesa ou aumenta receita”, esclarece, acrescentando ainda a possibilidade de se fazer um pouco das duas coisas. Mansueto Almeida vê o debate eleitoral como uma oportunidade para que todos os dilemas do país sejam apresentados de forma clara para a sociedade.
Tanto o nível de gastos como a estrutura tributária fazem parte, na opinião do secretário do Tesouro, de um debate político, onde não existe o certo ou o errado.
Ele lembra, no entanto, que a tributação no país já é alta e que o buraco fiscal ainda é grande, o que impõe o ajuste fiscal, de uma forma ou de outra.
Mansueto Almeida vê como um avanço a maioria dos candidatos a presidente da República defender a reforma da Previdência, abrindo espaço para o debate sobre qual reforma deve ser feita. Há quatro aos atrás, lembra ele, essa necessidade era negada.
O secretário do Tesouro chamou de “briga boa” a questão da renúncia tributária, que passou de 2% para 4% do PIB de 2003 para cá. São benefícios difíceis de reverter, diz, ressaltando a necessidade de se travar este debate.

Semana tem poucas promessas na agenda

A semana promete pouco em termos de agenda doméstica. O Congresso faz previsões conservadoras de pauta. No Judiciário, o principal julgamento envolve a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo em ação penal no âmbito da Operação Lava Jato, vai ter início na Segunda Turma do STF, onde deve consumir algumas semanas e, provavelmente, meses, de acordo com os primeiros prognósticos.
Pouco se deve esperar da reunião do Copom, que tende a manter inalterada, em 6,5% a.a. a taxa básica de juros. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, é o indicador econômico mais importante, agendado pelo IBGE para quinta-feira. Ainda sem data prevista, o resultado da arrecadação de tributos federais e o registro de empregos formais no Caged devem sair nesta semana.
Sem maioria para votar matérias mais importantes, a Câmara prevê parra esta semana um projeto de iniciativa parlamentar que permite à Petrobras vender parte dos seus direitos de exploração de petróleo do pré-sal cedido onerosamente pela União. São remotas as chances de aprovação do texto.