A política desmoralizando a política

Circulou semana passada nas redes sociais um vídeo protagonizado por Leila do Vôlei. Ela é candidata ao Senado pela Coligação Brasília de Mãos Limpas (PSB, PV, PCdoB, PDT e Rede) e aparece bem colocada nas pesquisas de intenção de votos. Foi quem mais arrecadou, superando limite de gatos permitido, de R$ 3 milhões. O senador Cristovam Buarque (PPS), que tenta a reeleição, arrecadou metade disso. O vídeo é um desastre para a candidata e prenuncia uma tragédia para Brasília, caso ela venha a se eleger.
Leila é vinculada ao PSB e foi secretária de Esportes, Turismo e Lazer, no governo do DF. Como jogadora de vôlei, participou da seleção brasileira nas olimpíadas de Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Sidney (2000).
O vídeo mostra a candidata Leila do Vôlei concedendo entrevista para uma rádio não identificada. O material é editado, mas, sem cortes, Leila diz que a ideia é que ela conclua os oito anos de mandato. Sem cortes, a candidata disse que a atuação dela vai ser em “detrimento” da população de Brasília.
A candidatura de Leila do Vôlei é a política desmoralizando a política. Ela não sabe a que veio e não pode ser condenada por isso.

Leila do Vôlei (2)

A candidatura de Leila do Vôlei é uma jogada eleitoral. Como a eleição para o Senado é majoritária, não está claro quem ganharia com sua vitória.
Considerando que o govenador Rodrigo Rollemberg é candidato à reeleição, se ele vencesse poderia chamar Leila novamente para o secretariado, abrindo vaga para uma das suplentes: Leany Lemos (do PSB, primeira suplente e ex-secretária de Planejamento) ou Ivonete Nascimento (do PCdoB, segunda suplente). A reeleição de Rollemberg, porém, está ameaçada. Ainda assim, ele só teria mais quatro anos de mandato contra oito dos senadores eleitos.
Vamos falar sério? O Senado tem atribuições importantíssimas, como o julgamento do pedido de impeachment do presidente da República, a aprovação dos nomes para compor o Supremo Tribunal Federal e os demais tribunais superiores, do Procurador Geral da República, de indicações para a diretoria colegiada do Banco Central, para agências reguladoras e para embaixadas, aprovação de operações de crédito externo para as unidades da Federação e de limites de endividamento. É também um espaço nobre para o debate entre os representantes dos estados e do Distrito Federal, sobre temas como a tributação e a repartição de receitas.

PT intensifica mobilização em defesa de Lula

A mobilização do PT em defesa da liberdade do ex-presidente Lula atinge seu ponto alto nesta quarta-feira, último dia do prazo estabelecido pela legislação para registro de candidaturas a presidente e a vice-presidente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aos demais cargos nos tribunais regionais eleitorais (TRTs). No PT, não se fala, a não ser muito discretamente, na possibilidade de candidatura alternativa a Lula pelo partido.
Ao contrário, nomes como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a princípio candidato a vice na chapa de Lula, atacam a condenação que teria sido irregular do ex-presidente em segunda instância e manifestam a crença de que, muito brevemente, estarão celebrando a liberdade do líder político.
O lançamento, em Brasília, do livro “Caravanas da esperança, Lula pelo Nordeste, com fotos de Ricardo Stuckert, serviu para reunir petistas e aliados do PCdoB no movimento para tirar Lula da prisão e levá-lo, mais uma vez, à Presidência da República. Além de Haddad, tiveram presença destacada a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS).
O livro deve ser lançado em todas as capitais do Nordeste. O PT quer lançar livros sobre outras caravanas, mobilização que está completando um ano.

Semana marca início da campanha eleitoral

Com o término do prazo de registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), está tudo pronto para o início da campanha nas ruas, na internet e na imprensa escrita. O horário eleitoral gratuito, no rádio e na TV, só começa em 31 de agosto, mas a propaganda eleitoral vai tomar as ruas nesta semana.
O prazo para registro de todas as candidaturas termina quarta-feira. No TSE, para os candidatos a presidente e vice-presidente. Nos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), para os demais cargos. Com isso, acaba de vez a denominação de pré-candidatos.
No dia seguinte, vai ser extinto um outro conceito de mais difícil entendimento: o da pré-campanha. Agora é pra valer. A legislação autoriza o uso de alto-falantes e amplificadores em comitês e veículos, a realização de comícios, a propaganda eleitoral na internet, a realização de carreatas e passeatas.
A campanha é curta, separada das eleições por exatos 52 dias. Isso pressupõe intenso trabalho. Curtos também são os recursos financeiros, em face da proibição das doações de empresas (pessoas jurídicas), que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucionais. Isso exige maior capacidade de abstração de quem não pode abrir mão de boas horas de sono, apesar do barulho.

 

No ar, o esforço concentrado do Congresso

Encerrado o prazo das convenções partidárias neste domingo e aberta a temporada de registro de candidaturas, o Congresso programa para esta semana o trabalho em esforço concentrado. Em tese, representa a volta dos parlamentares após o período de recesso de julho, que, a rigor, deveria ter se dado em 1º de agosto. Na prática, o que prevalece é o calendário eleitoral. Além desta semana, existe previsão atividade em mais duas semanas: uma ainda em agosto e a outra em setembro.
Há matérias importantes para serem votadas, mas a corrida eleitoral, associada à radicalização da disputa, não favorece as expectativas quanto à produção legislativa.
Para esta semana, a Câmara prevê a votação de um projeto do Executivo que permite que o capital estrangeiro tenha 100% do controle das companhias aéreas nacionais. Também estão na pauta três medidas provisórias editadas no calor da greve nacional dos transportadores de cargas.
O Senado tem dois projetos do maior interesse do governo. Um deles permite a privatização de distribuidoras de energia localizadas no Norte e no Nordeste. O outro projeto permite à Petrobras vender 70% dos barris recebidos a título de cessão onerosa na área do pré-sal a Bacia de Santos.