Defesa das reformas precisa ser mais clara

Em um aceno para o mercado financeiro, parlamentares do PSDB que defendem o desembarque do governo Michel Temer, como os senadores Tasso Jereissati (CE) e Cássio Cunha Lima (PB), ressaltam que mantêm o compromisso com as reformas, relançadas no programa do PMDB intitulado “Uma ponte para o futuro”, de outubro de 2015. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para quem sorriu a oportunidade de substituir Michel Temer na Presidência da República, reafirmou a defesa das reformas, que os investidores consideram fundamentais para a retomada da confiança na economia do país.
Cabe a Rodrigo Maia e aos parlamentares do PSDB serem mais explícitos em relação à reforma pretendida e ao timing para a votação das mudanças na Previdência. Vamos falar sério. A bandeira das reformas perdeu força e não há substituto eventual de Temer que reúna apoio para erguê-la novamente, quebrando a resistência das corporações e dos partidos mais identificados com elas.

O tempo passa, o tempo voa e a Reforma Política...

A primeira parte do ano legislativo está terminando, e nada de Reforma Política. Como as novas regras eleitorais devem ser aprovadas até um ano antes de 7 de outubro do próximo ano – data do primeiro turno –, não é exagero dizer que estamos em cima da hora. Fundamentalmente, o que se pretende instituir é um fundo de financiamento eleitoral, composto em sua maior parte por recursos orçamentários. Há também a exigência de mudar o sistema eleitoral proporcional, que elege deputados sem voto e se mostra uma fórmula esgotada.
O relator da reforma na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), está em negociações, também no Senado, para que as propostas não enfrentem obstáculos quando chegarem lá. Cândido considera que votar a reforma é coisa que se faz em cinco minutos. A costura política é que consome tempo e dedicação. Como em todas as tratativas, não só no campo político, o diabo mora nos detalhes.

Não confie em enquetes

A denúncia contra Temer e o seu andamento é a grande pauta da cobertura política. Os principais jornais brasileiros já preparam enquetes para tentar mapear como os deputados pretendem votar o pedido de autorização do Supremo. Foi assim no impeachment de Dilma Rousseff e, em menor escala, na Reforma da Previdência. Esse tipo de pesquisa não autoriza conclusões, uma vez que, para o entrevistado, dizer a verdade, seja ela qual for, é correr o risco de sofrer pressões de todo o tipo. Recentemente, um grande jornal fez um levantamento na CCJ sobre a aceitação da denúncia: dos 66 integrantes, 25 não responderam, 14 não foram encontrados e 10 se disseram indecisos. A favor da autorização ficaram 13 deputados; contra, quatro. Mesmo trazendo resultados precários, as enquetes, como desdobramento da pauta, ajudam a manter a denúncia contra Temer na ordem do dia.

O timing da denúncia é do denunciante

A tese governista de reunir as denúncias de Rodrigo Janot na Câmara em uma única peça tende a cair, de acordo com a análise da assessoria jurídica da Câmara, considerando que os casos têm tramitação independente. Mas assessores legislativos enxergam uma brecha: se uma segunda denúncia chegasse à Câmara antes do desfecho da análise da primeira, os prazos seriam reabertos e as duas caminhariam juntas. O mesmo vale para uma terceira denúncia em relação às anteriores. Este é o lado técnico. Do lado político, se a intenção de Rodrigo Janot é sangrar o presidente Temer, como revelam as estratégias divulgadas, ele pode regular com precisão o lançamento de cada denúncia. Em algumas ocasiões, os procuradores se valeram dessa vantagem.

FHC não comoveu os tucanos

As mensagens de Fernando Henrique, desde a cobrança de um gesto de grandeza de Temer, sugerindo a antecipação de eleições gerais, não causaram comoção no partido, que privilegia a solução prevista na Constituição: eleição indireta para complementação do mandato. O PSDB reavalia a cada dia a possibilidade de romper com o governo Temer. Dividido em relação à questão, o partido, hoje, estaria mais distante do rompimento do que há cerca de três semanas, quando promoveu reunião ampliada da Comissão Executiva. O posicionamento dúbio do líder da bancada na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), gera desconfiança com relação às reais intenções do PSDB. A justificativa no partido é que um líder deve refletir o pensamento da bancada. Como não há um pensamento único...  Esse é o problema de Ricardo Trípoli.