O timing da denúncia é do denunciante

A tese governista de reunir as denúncias de Rodrigo Janot na Câmara em uma única peça tende a cair, de acordo com a análise da assessoria jurídica da Câmara, considerando que os casos têm tramitação independente. Mas assessores legislativos enxergam uma brecha: se uma segunda denúncia chegasse à Câmara antes do desfecho da análise da primeira, os prazos seriam reabertos e as duas caminhariam juntas. O mesmo vale para uma terceira denúncia em relação às anteriores. Este é o lado técnico. Do lado político, se a intenção de Rodrigo Janot é sangrar o presidente Temer, como revelam as estratégias divulgadas, ele pode regular com precisão o lançamento de cada denúncia. Em algumas ocasiões, os procuradores se valeram dessa vantagem.

FHC não comoveu os tucanos

As mensagens de Fernando Henrique, desde a cobrança de um gesto de grandeza de Temer, sugerindo a antecipação de eleições gerais, não causaram comoção no partido, que privilegia a solução prevista na Constituição: eleição indireta para complementação do mandato. O PSDB reavalia a cada dia a possibilidade de romper com o governo Temer. Dividido em relação à questão, o partido, hoje, estaria mais distante do rompimento do que há cerca de três semanas, quando promoveu reunião ampliada da Comissão Executiva. O posicionamento dúbio do líder da bancada na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), gera desconfiança com relação às reais intenções do PSDB. A justificativa no partido é que um líder deve refletir o pensamento da bancada. Como não há um pensamento único...  Esse é o problema de Ricardo Trípoli.

Janot não dá trégua

Nesta semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, entrou no Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da Lei da Terceirização, que é de 31 de março deste ano. A iniciativa foi vista como parte do cerco que o chefe do Ministério Público vem promovendo a Michel Temer.
Assim como outras denúncias de Janot são esperadas, iniciativas legislativas, como a Reforma Trabalhista, também podem vir a ser questionadas pelo procurador-geral.

Reforma Trabalhista: incertezas na CCJ

A Comissão de Constituição e Justiça deve votar nesta quarta-feira, 28 de junho, o parecer do senador Romero Jucá (PMDB-RR) à Reforma Trabalhista. Não é uma situação tranquila. A oposição deve fazer a leitura de votos em separado, repetindo o rito que adia desnecessariamente a votação, mas a que o governo não se opõe. Provavelmente, a votação ficará para a tarde. A CCJ é a última etapa da tramitação em comissões. Segundo Jucá, a intenção é votar também um pedido de urgência para que o projeto chegue ao plenário na próxima semana, dependendo da concordância do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

Temer está sem saída

A denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer por crime de corrupção, encaminhada ontem ao Supremo Tribunal Federal, entra definitivamente na agenda política. Caso o ministro ministro-relator da Lava Jato, Edson Fachin, conceda prazo para Temer apresentar esclarecimentos, como é praxe no STF, o encaminhamento do pedido de autorização à Câmara deve ficar para agosto. Temer e aliados, contudo, passarão a carregar esse fardo, que deve se tornar mais pesado com a apresentação de novas denúncias, por obstrução de Justiça e por corrupção e lavagem de dinheiro, por suspeitas relacionadas à concessão no Porto de Santos. Na área política, as atenções se voltam para o PSDB, onde engrossa a corrente favorável a entregar os cargos no governo.